Eu me sinto invisível.

Tenho a mania de reparar nas pessoas. Seja em uma sala, dentro do vagão do metrô, na rua, na lanchonete ou na festa. Em qualquer lugar em que elas estiverem.

Olho seus sorrisos quando expostos, seus olhos passando pela tela do celular, quando estão concentradas lendo um livro ou apreciando as nuvens em um dia ensolarado. Não importa o que estão fazendo ou pensando, lá estou eu, reparando-as.

Talvez, esse seja o motivo. Eu reparo tanto nas pessoas, que as vezes gostaria de ser a pessoa reparada.

Me pego olhando para a moça dos cabelos caracolados e, ao mesmo tempo, gostaria que ela estivesse me olhando.

Me vejo reparando no cara da regata cinza e, ao mesmo tempo, gostaria que ele tivesse reparado que eu estava ali.

Ando pelas ruas com a sensação de que, se eu me virar, ninguém vai me ver. Se eu desviar o caminho, ninguém vai reparar. Se eu resolver pular em uma da poça d’água, ninguém, verá.

Eu só queria ir sentar naquela cadeira, e a pessoa que ocupa cadeira ao lado, me falasse oi.

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canto meu, meu canto

Quero ter um cantinho pra chamar de meu. Quero um cantinho pra ficar a vontade. Quero deixar roupas espalhadas pelo sofá, sapato na cozinha e entulhar meias pra lavar. Quero poder ficar com a luz acessa até tarde e ouvir música alta depois das 00h.

Quero um cantinho pra chamar de meu. Um cantinho pra levar a turma e ficar conversando até o amanhecer. Pra levar o carinha, e ver filme até adormecer. Pra levar a família, e fazer um almoço especial,  pra matar a saudade. Pra levar a sobrinha, montar cabaninha e ficar acordada até tarde.

Quero um cantinho só meu.

#desafio30dias

Finalmente tomei coragem pra fazer algum exercício (sai fora, sedentarismo!).

Achei por acaso na internet um tal de desafio 30 dias, que consiste em fazer exercícios físicos diários, durante 20min, por 30 dias (o que pra uem não faz NADA, já é muito). Junto, manter uma alimentação saudável e tomar bastante água. Me interessei.

Fazia tempos que eu estava a fim de ter uma rotina assim, mas por preguiça mesmo, nunca dava o primeiro passo, até hoje.

Fiz algumas pesquisas sobre o tema e achei bastante coisa interessante. Encontrei uma personal que gravou aulas durante 30 dias, para o desafio e então, é com ela que eu estou fazendo meus exercícios.

Acabei achando um app pro celular que “te lembra” de tomar água. O que pra mim, no momento, é útil, já que acabei perdendo esse costume depois que sai da faculdade. Ele me da uma meta de quanto de água que eu tenho que tomar por dia, e serei fiel a ele também (apesar de no primeiro dia eu beber meio litro a menos, mas é primeiro dia, né).

O difícil pra mim vai ser parar de comer besteirinhas. Um chocolate aqui, pão durante a noite, bolos. Mas já que entrei nessa, vamos com tudo. Ainda não acredito que meu jantar foi só uma saladinha de tomate com grão de bico.

Escrevo aqui para me comprometer comigo mesma. Força Bia, tu consegue!

Outros caminhos

Acordei sem vontade de levantar da cama, outra vez.

Fotografia © Nick Coletti

Fotografia © Nick Coletti

Algo negativo estava me puxando para debaixo da coberta e queria que eu ficasse lá. Dessa vez não me rendi, e me levantei. Pensei em não sair de casa, mas eu precisava, então sem muita vontade, fui me arrumar. Meu ânimo foi aumentando, e então sai de casa com vontade de inovar.

Fui tirar a segunda vida do meu título de eleitor, já que a desmiolada aqui sumiu com o outro. Eu iria precisar dele. Então, peguei o trem e fui parar na minha (antiga) faculdade.

Foi um momento nostálgico muito bom. Fiz o mesmo caminho que fazia  vezes por semana, e várias lembranças vieram a tona. Me encantei com os detalhes inovados, as mudanças que percebi pelo caminho. Quando cheguei no campus, deu vontade de abraçar as paredes, sério. Queria tanto poder voltar lá e fazer tudo outra vez.

A mocinha da central do aluno acabou com o meu sorriso quando me disse que não era lá que entrega o diploma. baahhh, tive que ir até o centro da cidade.

Fui. E sai de lá com um sorrisão boba e, com o meu diploma EM MÃOS. Muita emoção. Muito lindo.

Mais uma etapa do dia concluído.

– Próxima.

Fui andando até a Sé e fui parar na liberdade (ô lugarzinho acolhedor!). Então fui lá entrar em mais uma etapa da minha vida. Até conheci um carinha que foi um amorzinho, ahhh.

Sai do lugar que fui, felizona. Me senti bem por poder dar mais esse passo na minha vida. Agora, só coisas boas vou deixar se apossar de mim.

A esse ponto, eu já estava morta de cansaço. Andar e andar debaixo de sol é realmente agonizante. Até que, fui parar no meu antigo emprego. É, fui lá dar um oi pro pessoal, ver eles e matar saudade.

Sabe, sinto falta da galera do bem, de lá. Por mais que muita coisa tenha acontecido, as boas memórias carrego sempre comigo. Ó, até ganhei chocolate, quer coisa melhor?

Fico feliz em saber que estão bem, de verdade.

Fico feliz em saber que, eu, estou bem. Estou melhorando. E aqui, agora, prometo ter mais pensamentos positivos, do que negativos. Sem bad, só sorriso.

Em 2016 as coisas irão melhorar!

 

“Deixando as cascas do casulo caírem e o sol entrar.”

Fotografia © Bmachd Fotografia

Fotografia © Bmachd Fotografia

 

Aparentemente, estou melhorando. Já não estou mais com (tantos) pensamentos negativos, sinto um pouco mais de vontade de levantar, sair da cama. Apesar de ontem, eu ter uma recaída (e tudo veio com força), sinto que esta “fase ruim” da minha vida, esta passando.

Tive uma notícia boa, que fez com que eu me animasse e, consequentemente, conhecer novas pessoas. O que foi bom, já que eu me senti um pouco mais humana, sabe. Vi que aquelas pessoas me animaram, então senti/sinto vontade de animá-las também. Ta aí um motivo pra levantar quando acordar.

Me reconectei com algumas pessoas que eu já estava quase deixando de fora da minha vida, já que eu nem tinha vontade de conversar ou responder as mensagens. Claro, não foram com todas, pois ainda tem algumas que eu não sinto vontade de responder mesmo. Mas não por maldade, só por não ter o que dizer.

Vieram me perguntar se estou doente, e eu não soube o que responder, e por isso, permaneci calada, imóvel, e percebi que minha resposta nem importava, já que nem questionaram o porque de eu não ter respondido, ou ter cobrado uma resposta. Foi bom pra me fazer acordar, parar de me iludir e, ver que estamos sós nesse mundo, sim.

Aos poucos estou me “juntando a sociedade” novamente. Estou deixando as cascas do casulo caírem e o sol entrar.

A quem eu estou enganando?

Não sou mais a mesma pessoa, e isso não é de hoje. Não tenho mais nada. Perdi minha avó, que era a única pessoa que me escutava, que estava sempre ali perto. Perdi meus amigos, TODOS eles, já que por destino infeliz com o qual tenho que viver, quis assim. Parei pra pensar e, realmente, todo mundo se afastou. Será que eu fiz algo errado? Mas, o que de errado que eu fiz? Dói saber que não tenho eles por aqui, dói perceber que você, de fato, não faz falta pra nenhum deles, já que nenhuma mensagem é respondida, não fazem o mesmo esforço que venho tentando fazer a tempos, pra pelo menos se ver e dar um oi.

São exatamente 04:25am e estou chorando loucamente em cima desse teclado. Acabei de assistir um filme babaca de colegial americano, e consegui chorar com ele. Acho que não é só o filme que é babaca por aqui.

Sai do meu emprego. Não tenho clientes pra fotografar (nunca tive uma lista, né). Não tenho amigos por perto. Não tenho a pessoa que eu gostaria que me escutasse, já que ela nem liga pra isso. Não tenho vontade de sair da cama quando levanto. Não tenho vontade de acordar. E, nem sei porque estou escrevendo tudo isso. Só sei que esta doendo. E esta doendo pra caralho.